BLOG TERAPÊUTICO

Reflexões profundas sobre emoções, inconsciente e transformação emocional.

Artigos sobre psicanálise, ansiedade, comportamento humano, relacionamentos e autoconhecimento.

Autoconhecimento

A Criança Que Ainda Vive em Nós

Você estava numa situação que deveria ser ordinária, uma crítica no trabalho que não era grave, uma mensagem que demorou para ser respondida, uma mudança de plano que chegou de última hora, e algo no interior reagiu antes de qualquer pensamento conseguir interceptar: o coração acelerou, a voz sumiu ou endureceu, uma vergonha sem nome apareceu antes de qualquer avaliação do que estava acontecendo de fato, e quando o momento passou e a intensidade baixou, veio a pergunta que não se forma com clareza mas que está lá, baixa e persistente: por que reagi assim, com essa força, nessa situação? A resposta que este artigo vai construir não é simples, mas é precisa: porque quem reagiu não foi inteiramente o adulto que você é hoje.

Autoconhecimento

Você Não Consegue Decepcionar Ninguém

Você disse sim, e no momento em que disse, algo no corpo já sinalizava que não era isso, não era o que queria, não era o que tinha espaço para fazer, mas a palavra saiu antes que qualquer raciocínio pudesse interceptá-la, e veio o alívio imediato, aquele alívio rápido de ver que o outro não ficou desapontado, que o vínculo não tremeu, que nada se quebrou, e só depois, horas mais tarde, talvez na hora de dormir, surgiu o peso, a sensação de ter cedido algo que não tinha para dar, de carregar mais uma vez o que não cabia, e a pergunta que não se forma com clareza mas que está lá, baixa e persistente: por que é tão difícil dizer não? Este artigo não oferece técnicas para aprender a recusar. Investiga de onde vem a incapacidade de decepcionar e o que ela está protegendo em quem a carrega.

Autoconhecimento

O Excesso de Temer o Futuro e o Passado Que Não Deixa Você Ir

Você estava num momento que deveria ser simples, uma conversa, uma refeição, um instante qualquer do dia, quando a mente escorregou para algo que ainda não aconteceu: uma reunião de amanhã, uma conversa que precisa acontecer, um resultado que ainda não saiu, e o presente sumiu antes de ser vivido, e depois, quando tentava descansar ou simplesmente parar, veio o movimento contrário, algo que já passou voltou com a mesma nitidez de antes, uma situação que o pensamento insiste em revisitar, uma fala que saiu errada, uma decisão que não pode mais ser mudada, e o presente sumiu de novo, agora sugado pelo que ficou para trás, e entre esses dois movimentos, um em direção ao futuro que não chegou e outro em direção ao passado que não foi embora, o único tempo em que qualquer coisa pode de fato ser sentida, decidida ou vivida ficou completamente vazio. Este artigo não oferece técnicas para parar de pensar. Investiga por que a mente aprende a viver fora do agora e o que isso custa a quem vive assim.

Autoconhecimento

Liberdade Não É Fazer o Que Quer

Você está diante de uma escolha pequena. Aceitar ou recusar o convite. Ficar ou ir embora. Dizer o que pensa ou guardar para si. E enquanto decide, há uma sensação clara e confortável de que a decisão é sua. De que você está, nesse momento, exercendo sua liberdade. Mas e se essa sensação for real como experiência e ilusória como diagnóstico? E se o que você experimenta como escolha livre for, na maior parte das vezes, a superfície de um processo que aconteceu muito antes de você perceber? Este artigo não argumenta que você não tem liberdade. Argumenta que a liberdade que você acredita ter pode ser diferente da liberdade que você poderia ter. E que a distância entre as duas importa muito mais do que qualquer calendário sugere

Autoconhecimento

A Campanha Começou. O Seu Inconsciente Também.

Você estava rolando o feed quando apareceu. Um comentário. Uma imagem. O nome de um candidato numa frase que alguém escreveu com convicção. E antes de terminar de ler, algo dentro de você já havia reagido. Uma repulsa que antecedeu qualquer argumento. Uma raiva que surgiu antes da análise. Uma rejeição que não precisou de prova para existir. Você não decidiu sentir isso. Aconteceu. E aqui está o que raramente se pergunta diante dessa reação: o quanto ela diz sobre o candidato que você rejeita, e o quanto ela diz sobre você? Este artigo não toma partido. Investiga o mecanismo psíquico que a polarização política ativa: aquele que opera com a mesma intensidade em todos os campos, em todas as eleições, em todas as pessoas que acreditam estar respondendo apenas à realidade quando, na verdade, estão respondendo também a algo muito mais antigo do que esta campanha.

Autoconhecimento

O Cargo Mudou. A Sensação de Não Ser Suficiente, Não.

Você chegou onde queria chegar. Não foi por acaso. Foi por anos de esforço, de escolhas difíceis, de abrir mão de coisas que importavam para construir algo que importava mais. E chegou. O cargo, o reconhecimento, a posição que você havia definido como destino. E então, numa reunião, numa apresentação, num momento em que alguém te olha com expectativa genuína, a voz aparece. Discreta, mas precisa. Dizendo que é uma questão de tempo até descobrirem. Que os outros são mais preparados. Que o que você construiu foi sorte ou circunstância, não competência real. Que em algum momento alguém vai perceber que você não pertence àquele lugar. O cargo mudou. A voz não. Essa experiência tem um rótulo popular: síndrome do impostor. E o rótulo não é errado. Mas ele é insuficiente. Dar nome ao fenômeno não explica de onde ele vem. E sem compreender a origem, nenhuma conquista futura vai calar a voz. Ela não está respondendo ao cargo. Está respondendo a algo muito mais antigo. Este artigo é uma tentativa de chegar até essa origem.

Autoconhecimento

O Que Acontece Com o Seu Corpo Quando a Mente Não Aguenta Mais

O médico olhou para os exames e disse que estava tudo bem. Mas você sabe que não está. A dor nas costas que aparece toda vez que uma situação difícil se prolonga. A mandíbula travada ao acordar, como se você tivesse passado a noite inteira segurando algo que não consegue largar. A insônia que não cede mesmo quando o cansaço é real. O estômago que fecha antes de uma conversa que precisa acontecer. A gripe que vem sempre que você finalmente para. Os exames dizem que não há nada. Mas o corpo continua falando. E aqui está o ponto que a medicina convencional raramente alcança: o corpo não está errado. Ele não está produzindo sintomas sem motivo. Ele está traduzindo, na única linguagem que ainda lhe resta, algo que a mente não conseguiu processar de outra forma. Este artigo não é sobre doenças psicossomáticas no sentido pejorativo que essa palavra ganhou. É sobre algo muito mais preciso: o que acontece quando o sofrimento emocional não encontra saída pelo psíquico e precisa encontrar saída pelo corpo.

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Por Que Você Sabota Tudo Quando Está Quase Lá

Por Que Você Sabota Tudo Quando Está Quase Lá Você sabe como é. Meses de trabalho. De esforço. De resistir quando tudo dentro de você queria desistir. E então, quando finalmente o caminho começa a se abrir, quando o resultado começa a aparecer, quando a conquista está ao alcance da mão, algo acontece. Não é o mundo que atrapalha. Não é azar, não é o momento errado, não é falta de oportunidade. Você mesmo atrapalha. De um jeito que não consegue explicar depois. E se alguém perguntasse o porquê, você responderia com um encolher de ombros e a única palavra que aparece nesses momentos: não sei. Você não enviou a proposta. Não terminou o projeto. Criou uma briga no relacionamento que estava finalmente indo bem. Faltou na reunião mais importante. Adiou a decisão até o prazo vencer. E ficou olhando para o resultado com uma mistura de vergonha e confusão que não passa com o tempo.

Autoconhecimento

Por Que a Seleção Mexe Com o Que Há de Mais Profundo em Nós

Não é força de expressão. É literal. Escritórios esvaziam, famílias se reúnem, bares enchem horas antes do apito inicial. O STF declarou ponto facultativo. Pessoas que não sabem a posição de um meia-atacante vão parar o que estão fazendo para assistir ao jogo. E você provavelmente vai fazer o mesmo. A pergunta que quase ninguém faz nesse momento é simples e incômoda: por quê? Por que um jogo de futebol tem o poder de suspender a vida cotidiana de 215 milhões de pessoas? Por que uma bola que entra numa rede pode fazer um adulto chorar, gritar, abraçar um desconhecido? Por que uma derrota em campo pode deixar alguém de mau humor por dias? Isso não tem explicação no futebol. A explicação está em você.

Autoconhecimento

Por Que Eu Me Sinto Mal Quando as Coisas Estão Indo Bem?

Existe uma experiência que poucas pessoas conseguem nomear, mas quase todas já viveram: a vida começa a melhorar e, em vez de alívio, vem uma estranha inquietação. O relacionamento está caminhando bem e você começa a esperar que algo dê errado. A situação no trabalho melhora e uma tensão difusa toma conta. As coisas parecem certas, mas uma voz interna insiste em dizer que isso não vai durar, que você não merece, que é cedo demais para relaxar. Isso não é pessimismo. Não é falta de fé. E definitivamente não é loucura. É um padrão inconsciente com raízes profundas, e a psicanálise tem muito a dizer sobre ele. Este artigo não vai oferecer três dicas para "aprender a ser feliz". O objetivo é algo mais honesto e mais útil: compreender de onde vem esse desconforto com o bem-estar, por que ele persiste mesmo quando a pessoa deseja mudá-lo e o que é possível fazer quando se tem coragem de olhar para ele de frente.

Autoconhecimento

A Voz Que Diz Que Você Não É Suficiente, De Onde Ela Vem e Como Transformar Essa Narrativa

Muitas pessoas carregam, ao longo de toda a vida, uma voz interna que insiste em dizer que não são suficientes, que não merecem ou que é melhor não tentar. Essa voz tem nome: crenças limitantes. E ela não nasceu com a pessoa, foi construída ao longo de experiências emocionais que deixaram marca. Este artigo investiga, sob a perspectiva da Psicanálise e da Hipnoterapia Clínica, como essas crenças se formam, por que afirmações positivas sozinhas não as dissolvem e como é possível, a partir de um trabalho interno profundo, transformar a relação que cada pessoa tem consigo mesma.